sábado, 19 de maio de 2012

As histórias da vovó

A pedidos algumas textinhos que foram achados nos cadernos antigos (uns nem tanto) da Deuselina.

Ester

Foi comemorado o aniversário de 2 aninhos. Ela parecia uma princesinha recebendo os convidados. Para todos os efeitos ela é o xodó e é amada por todos os tios e amigos. Ela já sabe acender o fogo. Chama o tio de pai. Qualquer coisa que a gente sente ela dá “água que passa”. Imita Fina Estampa . Sabe falar ao microfone.
26 de fevereiro de 2011.

[o tio é José Omar. "Fina Estampa" era a novela.]

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Sem título

Eu moro no Goiabal, sou vovó de 24 netos, cada um mais inteligente que o outro. No meu coração são todos iguais. Tem uma caçulinha que manda e desmanda. Tem hora que dá vontade de pendurar de cabeça pra baixo! A madrasta dela não tem paciência, não compreende que é fase da criança. Eu, avó, tenho vontade de passear com ela, mas não posso. Ela é uma menina muito especial, com dois anos e meio sabe de tudo o que acontece ao seu redor. Tem todos os CDs infantis, sabe quando algum está ralado e dia para a madrasta: “Não presta! Bota outro.” “Não gosto, bota outro!”. Gosto quando ela diz: “Vovóóóóóóóóóóóóóóóóóóó”
Por volta de outubro de 2011.

(A madrasta da caçulinha, Ester, é a própria mãe, assim chamada pela vovó por não ter paciência com a criança)

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Maria de Nazaré

Este manto sagrado que cobre a tua cabeça, estas vestes simples que envolvem o teu corpo e este terço que segura em tua mão... Este rosto lindo e sereno de uma mãe que sofre com dignidade, sempre respeitando aos seus semelhantes. Nunca deixou de ser mulher humilde, mulher de fé, corajosa. Pelo poder do Espírito Santo concebeste no teu ventre uma criança que veio a se chamar Jesus, para a minha salvação e de todos que pertencem a este mundo. Amém.
Sem data.
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Oração de uma mãe preocupada

Peço a Deus com toda a minha fé que o meu filho resolva o seu problema com seus adversários. Que ele tenha paz e inteligência. A justiça Deus dará na sua mão. A verdade brotará entre eles. A justiça olhará do alto do céu. Enfim, o Senhor dará a compreensão de seus problemas. A justiça caminhará diante dele e a felicidade seguirá seus passos.
Sem data.

(Oração feita para Jerry Omar, depois de um acidente de trânsito.)

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Sem título

Minha nossa senhora interceda a Deus para que sua serva tenha um bom parto que o vosso manto seja as vestes da cirurgia e as suas mãos o bisturi. Assim seja.
23 de fevereiro 2009.

(Oração feita por Sulamita, que estava indo ter nenê)

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Sem título

Senhor, meu Jesus, peço pelo meu filho , que mostre a ele o caminho, que ele possa se libertar de algo que lhe impede de viver melhor, sem perturbações da sua vida anterior. De sua mãe.
Sem data.

(Oração feita pelo filho Juarez)

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Oração espontânea

Deus meu, estou pedindo com todo amor que cuide de mim assim como cuidaste do Teu povo. Nas minhas orações oro com fé, na esperança de um dia me tornar serva do Senhor.
Sem data.

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Jerry Omar Lima de Castro

Jerry colou grau no dia 23 de março de 1995 às 19 horas. Bacharel em Farmácia. Ele tem 26 anos e é casado com a senhora Sandra Regina. Pai de uma linda criança chamada Bianca.
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Bianca é muito inteligente. Gosta do programa da Eliana. Conhece todas as personagens da revista da Mônica, só gosta da vovó de longe. Chama “vovô Rato” e “vovó Deuselina”.
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Hoje Bianca tem 4 aninhos, estuda no Colégio Santa Tereza, cursa ao 2º período. Ensaia peças com a mãe, que é apresentadora de peças infantis. Bianca é uma verdadeira artista.
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Hoje é 30 de abril, Bianca faz 7 aninhos. Volto a falar da nossa artista.
Em datas aleatórias.

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Steffi

Steffi nasceu às 20h do dia 14 de março de 1993. Com 8 meses brigou com sua avó porque ela estava brigando com sua mãe. Um dia antes do seu aniversário de um ano, segurando um carrinho de boneca, deu seus primeiros passos. Com 2 anos e 23 dias, no dia 3 de abril de 1995, às 18h, ela botou uma semente de laranja no nariz, que foi retirada no hospital. Quando sua mãe foi ganhar seu irmãozinho sua tia ficou com ela e fez um mingau que virou papa, ela então disse: “não sabe, quero arroz!”. Quando a gente fala de alguma traquinagem ela diz: “mamãe bateu!”. Já sabe brincar de boneca, gosta de passear, diz “o pai é só meu”, “papai não pode carregar o nenê que já está cansado”, assim ela diz (sofre de cansaço, de tanto tomar soro já não chora com a picada.
Sem data.

aniversário de 75 anos.

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Somos nós. São nós que não se desfazem.


"A verdadeira felicidade está na própria casa, entre as alegrias da família."
(Leon Tolstoi)

Que família é essa?


Na íntegra o texto escrito por Deuselina, a mais velha dos filhos de Maria e Luís.
Este texto foi lido na Confraternização 2012 da Família Pinto Lima.
Obs: muita gente chorou



BREVE HISTÓRIA DA FAMÍLIA PINTO LIMA

Luiz Gonzaga Lima, de família humilde nascido em 19 de agosto de 1909, morava em uma cidadela chamada Crateús, interior do Ceará. Indo à festa de amigos gostou de uma menina moça de 17 anos chamada Maria Rodrigues Mesquita, nascida em lugarejo chamado Lages, um pouco distante de Sobral, no Ceará. Maria era filha de gente conhecida como professores da redondeza. Ele com 23 anos, de estatura mediana, charmoso e conversador logo encantou a mocinha bonita e começaram a namorar. Com 3 visitas à casa da namorada a pediu em casamento.

Em 26 de julho de 1932 começou a sua jornada, sendo contratado para trabalhar na estrada de ferro, numa época onde ainda se cortava a madeira com machado. Luiz Gonzaga era importante na sua obrigação, chegando a ser chefe de turma. Terminando o contrato fez residência em Crateús e começou esta grande família. Trabalhava com 6 burricos fazendo frete para a construção da cidade, até já tinha uma casa de alvenaria. Tudo estava encaminhado.

No entanto, com a morte de sua genitora, a dona Florisbela, falou para seus irmãos: “Vamos para o Maranhão”, isto foi em 1944. Vendeu tudo o que tinha e foi com a sua família para Parnaíba, um lugar bonito, mas que só tinha serviço na beira da praia, com venda de peixe, nestas circunstâncias ficaram apenas poucos dias lá, indo logo em seguida para Cantanhede em um barquinho de vela. No dia seguinte embarcaram para São Luís de trem, desembarcando num bairro chamado Camboa, com 6 filhos pequeno: Manoel, Deuselina, Rita, José Pinto, Antônio e Aldenora. Logo na chegada encontraram gente hospitaleira, que explicaram todos os pontos da cidade.

Este caboclo de pés no chão, com pouco conhecimento sobre cidade grande sempre dizia: “Não vou criar meus filhos como cabra de peia, trabalhando para seu dono sem a menor recompensa!”.

Trabalhando como carpinteiro de construção, com sua família foi morar em uma porta e janela de aluguel. Pai e mãe estavam deslumbrantes com o que viam, sabiam que ali estava o futuro de seus filhos. Após um tempo, trabalhando em sua profissão, já moravam em casa própria. Seus filhos estudavam em colégio público, e isso já era a sua primeira satisfação como um bom carpinteiro pai de família.

Em 1948, chegando da rua sem serviço disse para Neném, como carinhosamente ele chamava sua esposa Maria: “Vamos amanhã para Teresina, estão contratando carpinteiros como eu”, lá moramos quase 2 anos. Neste mesmo período ainda visitaram a família de Neném, em Sobral no Ceará.

Mesmo com uma vida de emigrantes, saindo de um lugar para outro, Luiz Gonzaga e Maria nunca deixaram os filhos pararem de estudar, procurando sempre o melhor para eles.

No final do ano de 1949, Luiz Gonzaga, Maria, sete crianças e uma na barriga voltaram a São Luís. Luiz Gonzaga não agüentava passar nem uma semana sem serviço, quando isso acontecia inventava logo de ir embora para outro lugar, e por isso, em 1952, chegou em casa e disse à Maria: “Vamos para Ceará que aqui não dá mais certo”, rapidamente ele vendeu tudo e o dinheiro era suficiente para tomar a estrada, ele disse à Neném: “Segunda-feira vamos embora porque o trem é de graça.”

Foram para a estação de trem às 3 da madrugada, eram chamados de Arigó, porque saíram do Ceará para o Maranhão.

Com já 10 filhos, Manoel, Deuselina, Rita, José Pinto, Antônio, Aldenora, João, Raimundo, Francisco e Terezinha, o casal foi para Fortaleza, uma cidade rica e de gente orgulhosa, daquelas que não abriam a porta para qualquer pessoa. Nessa época os móveis eram consertados nas casas dos clientes e não nas oficinas. Manoel, o filho mais velho, acompanhava o pai. Todas as vezes que iam trabalhar, ficavam perguntando de onde eles eram de onde tinham vindo e Luíz Gonzaga não gostava disso, pois não queria que sentissem pena dele. As pessoas ofereciam ajuda, auxilio para a família e o pai sempre recusava, dizendo: “Tenho forças para sustentá-los”. A cidade estava cheia de pessoas que pediam de porta em porta um pouco de comida para as suas famílias, todos passavam por grande necessidade devido à seca que se alastrava pelo Ceará.

Luiz ficou sabendo de um navio que levava as pessoas para o Pará, para trabalharem nas minas que tinham sido descobertas. Pediu então à filha mais velha, Deuselina, que fosse fazer a inscrição, esta foi ao encontro da mãe do homem que mandava as famílias para o Pará.

Então, embarcaram no navio em direção ao Pará, no entanto, fazendo uma parada em São Luís, encontraram gente conhecida e amiga, estes aconselharam Luiz dizendo que era uma loucura ir com 10 filhos para o Pará sem moradia, era melhor que ficassem ali mesmo porque já conheciam a terra. Falavam para ele: “Deixa de ser cabeça dura, fica aqui!”. Que maravilha, os filhos pulavam de alegria, se sentiam em casa!

A educação de Luiz Gonzaga e Maria para os seus filhos era rígida, existiam ordens severas que eram cumpridas. Não eram filhos que viviam brigando nem saindo para festas. Os mais velhos cuidavam dos mais novos, e os homenzinhos ajudavam a família trabalhando e estudando. Em São Luís, alguns anos depois, Luiz e Maria já teriam netos e bisnetos, um grande tesouro aqui foi construído. Bem, se esperam por um final grandioso, infelizmente não posso narrá-lo, pois ele ainda não aconteceu e está longe de acontecer, esta história continua sendo escrita pelos numerosos descendentes de Vovô Luiz e Vovó Maria. Este encontro é a imagem do trabalho e da vida difícil que duas pessoas tiveram juntas.




Deuselina, a escritora.