sexta-feira, 18 de maio de 2012

Que família é essa?


Na íntegra o texto escrito por Deuselina, a mais velha dos filhos de Maria e Luís.
Este texto foi lido na Confraternização 2012 da Família Pinto Lima.
Obs: muita gente chorou



BREVE HISTÓRIA DA FAMÍLIA PINTO LIMA

Luiz Gonzaga Lima, de família humilde nascido em 19 de agosto de 1909, morava em uma cidadela chamada Crateús, interior do Ceará. Indo à festa de amigos gostou de uma menina moça de 17 anos chamada Maria Rodrigues Mesquita, nascida em lugarejo chamado Lages, um pouco distante de Sobral, no Ceará. Maria era filha de gente conhecida como professores da redondeza. Ele com 23 anos, de estatura mediana, charmoso e conversador logo encantou a mocinha bonita e começaram a namorar. Com 3 visitas à casa da namorada a pediu em casamento.

Em 26 de julho de 1932 começou a sua jornada, sendo contratado para trabalhar na estrada de ferro, numa época onde ainda se cortava a madeira com machado. Luiz Gonzaga era importante na sua obrigação, chegando a ser chefe de turma. Terminando o contrato fez residência em Crateús e começou esta grande família. Trabalhava com 6 burricos fazendo frete para a construção da cidade, até já tinha uma casa de alvenaria. Tudo estava encaminhado.

No entanto, com a morte de sua genitora, a dona Florisbela, falou para seus irmãos: “Vamos para o Maranhão”, isto foi em 1944. Vendeu tudo o que tinha e foi com a sua família para Parnaíba, um lugar bonito, mas que só tinha serviço na beira da praia, com venda de peixe, nestas circunstâncias ficaram apenas poucos dias lá, indo logo em seguida para Cantanhede em um barquinho de vela. No dia seguinte embarcaram para São Luís de trem, desembarcando num bairro chamado Camboa, com 6 filhos pequeno: Manoel, Deuselina, Rita, José Pinto, Antônio e Aldenora. Logo na chegada encontraram gente hospitaleira, que explicaram todos os pontos da cidade.

Este caboclo de pés no chão, com pouco conhecimento sobre cidade grande sempre dizia: “Não vou criar meus filhos como cabra de peia, trabalhando para seu dono sem a menor recompensa!”.

Trabalhando como carpinteiro de construção, com sua família foi morar em uma porta e janela de aluguel. Pai e mãe estavam deslumbrantes com o que viam, sabiam que ali estava o futuro de seus filhos. Após um tempo, trabalhando em sua profissão, já moravam em casa própria. Seus filhos estudavam em colégio público, e isso já era a sua primeira satisfação como um bom carpinteiro pai de família.

Em 1948, chegando da rua sem serviço disse para Neném, como carinhosamente ele chamava sua esposa Maria: “Vamos amanhã para Teresina, estão contratando carpinteiros como eu”, lá moramos quase 2 anos. Neste mesmo período ainda visitaram a família de Neném, em Sobral no Ceará.

Mesmo com uma vida de emigrantes, saindo de um lugar para outro, Luiz Gonzaga e Maria nunca deixaram os filhos pararem de estudar, procurando sempre o melhor para eles.

No final do ano de 1949, Luiz Gonzaga, Maria, sete crianças e uma na barriga voltaram a São Luís. Luiz Gonzaga não agüentava passar nem uma semana sem serviço, quando isso acontecia inventava logo de ir embora para outro lugar, e por isso, em 1952, chegou em casa e disse à Maria: “Vamos para Ceará que aqui não dá mais certo”, rapidamente ele vendeu tudo e o dinheiro era suficiente para tomar a estrada, ele disse à Neném: “Segunda-feira vamos embora porque o trem é de graça.”

Foram para a estação de trem às 3 da madrugada, eram chamados de Arigó, porque saíram do Ceará para o Maranhão.

Com já 10 filhos, Manoel, Deuselina, Rita, José Pinto, Antônio, Aldenora, João, Raimundo, Francisco e Terezinha, o casal foi para Fortaleza, uma cidade rica e de gente orgulhosa, daquelas que não abriam a porta para qualquer pessoa. Nessa época os móveis eram consertados nas casas dos clientes e não nas oficinas. Manoel, o filho mais velho, acompanhava o pai. Todas as vezes que iam trabalhar, ficavam perguntando de onde eles eram de onde tinham vindo e Luíz Gonzaga não gostava disso, pois não queria que sentissem pena dele. As pessoas ofereciam ajuda, auxilio para a família e o pai sempre recusava, dizendo: “Tenho forças para sustentá-los”. A cidade estava cheia de pessoas que pediam de porta em porta um pouco de comida para as suas famílias, todos passavam por grande necessidade devido à seca que se alastrava pelo Ceará.

Luiz ficou sabendo de um navio que levava as pessoas para o Pará, para trabalharem nas minas que tinham sido descobertas. Pediu então à filha mais velha, Deuselina, que fosse fazer a inscrição, esta foi ao encontro da mãe do homem que mandava as famílias para o Pará.

Então, embarcaram no navio em direção ao Pará, no entanto, fazendo uma parada em São Luís, encontraram gente conhecida e amiga, estes aconselharam Luiz dizendo que era uma loucura ir com 10 filhos para o Pará sem moradia, era melhor que ficassem ali mesmo porque já conheciam a terra. Falavam para ele: “Deixa de ser cabeça dura, fica aqui!”. Que maravilha, os filhos pulavam de alegria, se sentiam em casa!

A educação de Luiz Gonzaga e Maria para os seus filhos era rígida, existiam ordens severas que eram cumpridas. Não eram filhos que viviam brigando nem saindo para festas. Os mais velhos cuidavam dos mais novos, e os homenzinhos ajudavam a família trabalhando e estudando. Em São Luís, alguns anos depois, Luiz e Maria já teriam netos e bisnetos, um grande tesouro aqui foi construído. Bem, se esperam por um final grandioso, infelizmente não posso narrá-lo, pois ele ainda não aconteceu e está longe de acontecer, esta história continua sendo escrita pelos numerosos descendentes de Vovô Luiz e Vovó Maria. Este encontro é a imagem do trabalho e da vida difícil que duas pessoas tiveram juntas.




Deuselina, a escritora.

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